Talí Reflete
Só a cereja ?
Li um texto outro dia que me fez começar a citar como exemplo a "cereja do
bolo" sempre que se fala em namoro.
"Geração tribalista". Essa foi a
expressão usada para a modalidade tão conhecida hoje de "ficar";
ficar é como querer só a cereja do bolo e mais nada; nada de compromisso, de
respeito, de responsabilidades.
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Já o namoro pode ser encarado como o bolo inteiro, quando assumimos uma relação
com tudo que tiver que vir; assim a cereja vem acompanhada de muitos outros ingredientes, e não sozinha.
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O ato de beijar nunca foi tão banalizado quanto hoje, chegar em uma festa ou outro
ambiente qualquer e beijar o primeiro que te der bola virou coisa normal,
“anormal é não fazê-lo” dizem seus adeptos.
Gostaria de conseguir entender como conseguem usar o beijo, que em minha opinião é
uma coisa tão íntima e significativa como algo banal, algo tão simples quanto
um "oi, tudo bem". As meninas procuram qualquer menininho bonito, que não precisa ter
nada de interessante para falar, a única coisa que interessa é ficar com mais
um "gatinho".
Já os garotos vão além, querem uma menina bonitinha, que não precisa ter nada de interessante pra falar
(aliás, ela nem precisa falar nada) basta ter as medidas desejadas para se colocar na lista de "ficantes"
(se é que se pode chamar assim) e contar para todos os amigos.
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Assim o tempo vai passando e quando se olha para trás só se encontram aventuras, nada de
concreto, nada que tenha significado alguma coisa. Percebe-se que se está só,
que tantas pessoas passaram pela sua vida, mas agora não há mais ninguém. Será ironia do destino?
Admiro a coragem para assumir as coisas, pois ficar em cima do muro é coisa que todos sabem
fazer, difícil é assumir, escolher um lado e descer do muro, aceitar os prós e
os contras da escolha, isso é que não é pra qualquer um. Para muitos isso é
exigir demais, não há capacidade suficiente, o que há é uma visão individual do
que se acha ser liberdade!
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Não considero liberdade o mesmo que descompromisso, liberdade é saber dosar as coisas. Como
sempre ouvi dizer, a nossa liberdade termina onde começa a dos outros, esse é o
básico que se deve saber; depois vem a vontade de ter alguém, de se entregar a
alguém, e no singular; apenas um !
Não digo um para resto da vida; isso parece muito bonito mas... não acontece com tanta
freqüência. Dedicar-se a uma pessoa, aquela que você escolheu para estar desse
momento em diante, enquanto fizer bem para ambos. Se acabar, se não houver
mais a vontade, o desejo de estar com ela, o respeito..., não há porque continuar; aí se abre o jogo, se entra em
acordo, e dá-se o fim.
Nunca se sai sem arranhões, sem feridas, faz parte da luta; quem não quer chorar, não quer
se arriscar se tranca em uma redoma e permanece ali sem viver. Há 2 saídas:
amar e sofrer ou não amar e sofrer mais", partindo desse princípio
entendemos porque todos escolhemos sofrer.
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Mas não é só sofrer, no final pesamos tudo e vemos que na maioria das vezes valeu a pena, você vê que
levou coisas da outra pessoa e ela permaneceu com coisas suas, não só com ursinhos de pelúcia ou perfumes;
mas com pontos de vista, formas de pensar;
manias; gestos, lembranças... Inegavelmente se faz parte da história uma da
outra, rastros nos caminhos de suas vidas, marcas que não se apagam. O namoro
realmente não é sinônimo de cobrança, a única coisa que se cobra - mas não
deveria ser cobrada - é o respeito; quando esse acaba ou simplesmente não
existe não há por que continuar, a não ser a que haja isso também da parte da
outra pessoa e isso seja encarado normalmente de comum acordo.
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Enfim, concluo que os prós superam os contras disparado; mas os que não pensam assim ainda
podem aderir à "geração tribalista":
"Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também"
Talí (fã de todos os tipos de bolo  )
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