Maria Margarida Neiva Brant, nasci em Paracatu no ano de 1917. Meu pai chamava Carlos da Silva Neiva e minha mãe Laura Pereira Neiva. Sou a 6ª filha do
casal. Por ordem decrescente: 1ºJoão da Silva Neiva, Antônia, Amélia, José
Santiago Neiva, Luiz Gonzaga, Margarida, Henrique e Stella. O meu pai era
fazendeiro, como todos os irmãos dele, tinha a fazenda em Buriti Alto, perto do
Ranchão, pelo lado que vai para Brasília. A fazenda era simples, casa tosca
daquela época.
Cuidava da lida do gado, tinha carro de boi, fabricava queijo,
requeijão, plantava cana, fazia rapadura, açúcar de forma, colhia café, fazia
farinha de mandioca, plantava roça, colhia milho, arroz, etc. A mamãe e todos os
filhos sempre colaborava firme nestas tarefas e nos serviços de casa. Quanto as
colheitas do café, arroz e fabricação de farinha, havia sempre mulheres
contratadas para isto.
Cercas, capina, roçados eram serviços delegado para os
peões, havia criação de carneiros, aves, porcos, etc. Nas fazendas diversões
apenas reunião de jovens da Chapada, para ouvir o Joviano Catita tocar a sua
saudosa viola, tinha ainda alguns sanfoneiros que alegrava as noites da zona
rural.
Com danças e catiras, tinha animadas fogueiras de são João, são Benedito, Santo Antônio e Folia de Reis, e o mais importante era o convício com os
vizinhos, tios, primos da vizinhança como: a família de Tio Pedrinho, Dona Fulô,
Tia Jovina e filhos, Belico e família, Dona Izidoria e Tássia e muitos que deixo
de mencionar.
Estudei o 1ºano primário em Paracatu, o 2ºano na Escola Rural de Pouso Alegre em companhia de 2 irmãos. O professor era o Sr. Raimundo Castro e
sua esposa Dona paixão. Conclui a 4ª série primária aqui em Paracatu
e sempre tive uma vida intercalada ora na cidade, ora na fazenda, deixando de
citar muitos fatos, pois seria um nunca acabar.
Em uma oportunidade de ir na
cidade de Trindade de Góias, assistir o batizado de minha sobrinha Helba Clênia,
hoje, advogada e filha de Antônia e Sebastião Pedro, em companhia dos meus pais
e irmãos, visitamos uma prima, Odete Aquino cuja recentemente estava ingressando
na Escola de Enfermagem são Vicente de Paula, fazendo o curso de enfermagem
Geral.
A Escola havia sido recentemente inaugurada. Apesar do meu desejo de ser Enfermeira a Odete ainda sugeriu que estava numa boa oportunidade, já havia
várias alunas de Paracatu, um número bem satisfatório: Edite Pinto, Odete
Aquino, Maria Monteiro, Violeta Pereira, Eutália Santana e várias meninas. Com o
impulso de Odete associado ao meu desejo de servir, trabalhar em Hospital e
assim deixei a cidade de Ipamerí, para enfrentar o Curso Geral de Enfermagem .
Aqui em Paracatu procurei a professora Márcia Macedo que me preparou para as
provas de vestibular de Enfermagem em Goiânia, onde tive boas notas e o curso
durou 3 anos e meio de 1944 a 1948. Estudei madureza ginasial na Escola
particular do Professor Felicíssimo do Espirito Santo. Agradeço a todos os
professores do curso sendo a gratidão maior a prima Sara Abraão Guerra, que me
toda dedicação dava-me aulas do curso e aos sábados e domingos não poupava
esforços nas aulas de reforço, não somente para mim, mas aos demais alunos
necessitados.
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Em Goiânia, terminando os Estudos do Curso de Enfermagem, fiz estágio de Saúde Pública e Obstetrícia, trabalhei no Hospital são Lucas, 3 anos,
onde havia o serviço de Proteção ao Índio, deparando com muitos casos de
Tuberculose, ferimentos, malária.
Trabalhei no SESI atendendo serviço
ambulatório e atendia os partos em domicílio, por 3 anos. Trabalhei no Hospital
do ( ) de Goiás Rio Verde, reorganizei o Hospital da L.B.A de Goiandira. Por
todos esses caminhos só trouxe comigo bagagem, recordações e saudades: da Escola
Hospital, professores, irmãs colegas e da prima Alzira ( ). Em fevereiro 1957,
retornei-me a Paracatu para trabalhar no Hospital do SESP Serviço de Saúde
Pública, onde é o atual Hospital Municipal, a convite do Dr. Romualdo da Silva
Neiva, estive uns dias no Hospital, e fui fazer estágio em Pirapora.
Participei de vários Congressos em Pirapora, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, este Latino Americano.. No SESP tinha três médicos que ocupavam as seguintes funções: Um diretor, um cirurgião e um anestesista. Eram eles que atendiam o posto de saúde
e todos os doentes que vinham das cidades vizinhas.
Os médicos trabalhavam
muito, trabalhavam muitas vezes a noite toda e no outro dia tinha que estar no
hospital na parte da manhà. Os outros médicos de Paracatu também ajudavam os
médicos do SESP quando o serviço apertava.
Os partos normais eram feitos pela
enfermeira e auxiliares. Era eu quem fazia os partos normais. O hospital
funcionava com muita dificuldade por falta de pessoal. As irmãs também
trabalhavam no hospital, eram três irmãs; a irmà Gracieta, Eugênia e Helena. No
hospital tinha a pediatra com dez leitos, a maternidade com seis leitos, a
clínica médica com seis leitos para homens e seis para as mulheres.
Tinha o ambulatório, um laboratório e um banco de sangue. No hospital tinha a sala dos diretores, sala da secretária, sala de cirurgia, sala de raio X, sala de
ginecologia, lavanderia e cozinha. O lixo todo do hospital era queimado no
encinerador. A ecônoma era a pessoa responsável por toda compra do hospital.
No hospital funcionava o curso de parteira. As parteiras formadas nesses cursos eram chamadas de curiosas. Naquele tempo o hospital tinha quatro visitadoras, que visitavam as casas aconselhando os pais a respeito das vacinas, do
pré-natal. Eram elas que encaminhavam os doentes para os médicos. Elas, as
visitadoras, faziam o curso especial de visitadores.
No hospital tinha o
almoxarifado com muita medicação. Ninguém comprava remédio, tudo era ganho.
Tinha também muita roupa de cama, alimentação e remédio. Vinha tudo da diretoria
de Belo Horizonte e nunca faltava nada.
Aqui dava muita malária, tuberculose e
ransianismo. Quando eu aqui cheguei, a Santa Casa de Saúde já tinha acabado, não
funcionava mais e o hospital do SESP tinha cinco dias que tinha sido inaugurado.
Aqui em Paracatu a vida familiar era muito unida e existia muita amizade aqui em
Paracatu. A meus pais, irmãos e familiares a minha gratidão, agradecimentos
acompanhados de uma imorredoura saudade.
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