
Abadore Muare
- O portal para a sua evolução !| Nascimento | : | 15 de Setembro 1921 |
| Residência | : | Rua Temístocles Rocha , 238 |
| Entrevista | : | 29 de Abril de 1999 |
|
Não conheci meu pai, ele chamava José Germano Silva Neiva, era fazendeiro lá pelo lado de são Marcos. Na morte dele minha mãe trouxe toda a família para Paracatu.
Mudamos para esta casa em que estamos agora. Ela chamava Marieta Ribeiro de Jesus. A rua chamava Calvário, mudou para Rua da Praça e mudou depois para Ministro Mello Franco e agora chama Temístocles Rocha. A rua antigamente era calçada de pedra até a farmácia do Dedé. As pedras eram grandes, tinha cada bruta pedra. Antigamente não tinha luz, era tudo escuro. As casas eram iluminadas com as velas. Foi o prefeito Quintino Vargas que colocou a luz em Paracatu. Os postes eram de madeira e ficavam no meio da rua. não tinha água encanada, era água de cisterna. Onde hoje é a padaria Pão Gostoso tinha uma casa muito antiga, era a moradia de João Ulhoa, o bisavó de Zeca Ulhoa. O neto de João Ulhoa desmanchou a casa e construiu este prédio que está ai agora. Quando eu era menino, brincava nesta rua de cabra-cega, acusado, estrada de ferro. Eu estudei até o 4ºano de Grupo no Grupo Afonso Arinos. Parei de estudar porque quem não tinha dinheiro era difícil de estudar. não cheguei a fazer provas, peguei uma febre danada e curei ela com chá caseiro, chá de flor de sabugueiro, carobão e casca de limão. Quando eu tinha 10 anos, comecei a aprender a profissão de alfaiate. Comecei a costurar com o Tiodomiro, e passei pelos alfaiates Apolinário, Sinval Jordão, Gilberto Neiva, finado Nequito, Demétrio, Silvério e Silvio. Com 30 anos de idade fui trabalhar independentemente e estou até hoje. Criei toda minha família na base da linha e agulha. Trabalhar para os outros não dá, trabalhei para os outros e nunca consegui comprar uma máquina de costura. |
Só depois que passei a trabalhar para eu mesmo é que fui adquirindo as
coisas. Naquele tempo não tinha prestação, era tudo no dinheiro. Na época de
festa nas Igrejas, aí é que dava movimento, todo mundo mandava fazer terno. O
terno mais usado era o de brim e passava com o ferro de brasa. Era o brim
"triunfador ".
Paracatu, na política era brava, gerava muita inimizade. Tinha os Botelhos que eram do partido catavento e o lado do Quintino Vargas era o merendinha. A política gerou muitas mortes. O Santos Roquete matou o Dr. Joaquim pôr rixa política. Além da braveza na política, tinha o Saul, que matava, roubava e assaltava. O Saul tinha um grupo de bandoleiros. O povo tinha um medo danado dele e acabou sendo morto lá perto de Unaí. Paracatu era uma cidadizinha, nas ruas o pessoal andava a cavalo e tinha muito carro de boi. Os carros de boi passavam por esta rua, vendendo lenha, vindo do Machadinho. A maioria do povo era de gente pobre, os ricos eram apenas os Botelho e Brochado, eram eles que mandavam na cidade, tudo girava em torno deles. Aqui eles contavam muitos casos de assombração. Eu lembro que os mais velhos contavam que durante a semana santa, o pai do Fifico Chaves, o Sr. Oliveira, que tinha morrido há muito tempo, descia e subia a rua puxando uma corrente toda a noite. Penso que a pior coisa que ocorreu em Paracatu, foi o desaparecimento das Igrejas do Santana, Amparo e Abadia. Hoje está tudo mudado, mudou tudo, mas, a vida hoje é muito melhor que antigamente. Naquele tempo quem não tinha dinheiro não comprava e não havia tanto serviço como tem hoje. |
Pesquisa personalizada
|
| Membros - Webmail | Desenvolvido por: Webmaster Abadore | |
| Se você gostou do conteúdo de Abadore Muare, adicione aos seus favoritos e recomende a um amigo.Obrigado ! | ||
| Nota de copyright | —Melhor visualizado em 800x600— | Mapa do portal |
