
Abadore Muare
- O portal para a sua evolução !| Nascimento | : | 31 de Dezembro 1919 |
| Residência | : | Rua José Pereira Guimarães, n.99 |
| Entrevista | : | 13 de Abril de 1999 |
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Meu pai era o Sr. Lauro de Sá Guimarães e minha mãe a senhora Violeta Pereira Guimarães. Eles moravam na fazenda Pouso Alegre. O papai era comerciante
ambulante.
Ele vendia roupa feita, chinelo e tecido. Ele saía a cavalo, punha as mercadorias nas broacas e ficava fora uma semana inteira, vendendo lá pelos lados do Ribeirão. Ele comprava o arroz, feijão milho, frango e capado. Toda semana ele matava um gado, fazia as mantas muito grande, salgava e deixava no sereno. A carne ficava cheirosa. A mamãe era doméstica e costureira. Ela costurava muito para fora, só costurava roupa de homem, fazia calça, camisa. Só parou de costurar depois que ficou sega. Ela ajudava o papai nas despesas da casa. Mais tarde eles mudaram para Paracatu. Papai comprou uma chácara onde é a atual Rua Unaí, era uma chácara grande, ela pegava da Rua Unaí até o Posto Moirão e pegava também a Rua Joaquim Murtinho. Meu pai sofria de chagas, ficou quatro anos na cama e morreu de derrame. Toda minha infância foi lá na fazenda Pouso Alegre. Com 16 anos eu casei lá na Igreja de Pouso Alegre e mudei com meu marido para Guarda-Mor. Fui morar na fazenda do meu sogro. Lá eu fazia doce, biscoito, cuidava da horta e costurava muito para fora. Eu fazia calça, camisa, paletó e vestido de noiva. não dava para ganhar dinheiro, porque cobrava muito baratinho, o povo não tinha dinheiro. Eu achava tudo uma beleza. O meu marido era o José Pereira de Guimarães. Lá na fazenda aparecia muita visita, matava capado e fazia também muito queijo. A gente trabalhava o dia inteiro. Até o sabão a gente fazia lá na fazenda. O sabão era de quadra. Socava a cinza no barrilheiro. O barrilheiro era um jacá de taquara. Depois que a cinza estava bem socada no barrilheiro coloca a água, que ia pingando dentro do tacho, ia pingando água preta. Dentro do tacho já tinha gordura, sebo e torresmo. Tudo fervendo e a água preta ia caindo no tacho e cortando a gordura. O tacho no fogo, aquilo tudo fervendo e a gente mexendo com colher de pau muito grande. Quando babava, parecendo melado, tirava do fogo e deixava esfriando. Quando aquela massa estava morna ia embalando, fazendo uma bola com as mãos. Era uma beleza de sabão, lavava tudo com este sabão. |
Ali na fazenda era uma vida muito
boa. Os meus filhos brincavam com sabuguinho, laranjinha e faziam bonecas,
vaquinhas e carrinhos. Lá tinha muita rudia de cascavel, lobo e onça. Eles até
mataram um lobo na porta da cozinha.
Com 30 anos, nós mudamos para Paracatu. Fomos morar na Rua da Abadia, onde é a casa hoje do Manoel Rabelo, depois mudamos para o Arraial da Angola. Meu marido comprou uma venda e eu continuei costurando, arrumando cabelo dos outros, fazendo permanente, alisando e cortando cabelo. Eu ajudava muito o meu marido nas despesas da casa. Ele acabou tendo prejuízo na mercearia e foi trabalhar na Escola Estadual Antônio Carlos como inspetor de alunos. A avenida Quintino Vargas era uma assa-peixe danado. Depois mudamos para esta rua, ela chamava Rua da Fábrica, porque onde é a cooperativa, era uma fábrica de manteiga. Ali onde estão fazendo a Caixa econômica Federal era a cadeia nova, era muito grande. Onde é o meu quarto tinha um pé de jatobá de todo tamanho. A rua da Fábrica passou a ter o nome de meu marido, Rua José Pereira Guimarães. Logo que mudei para Paracatu, comprei um rádio muito bom e gostava de escutar as músicas caipiras e a hora do Brasil. Sou católica, rezo muito, são três terços de manhà, três terços à tarde e três terços à noite. Penso que depois da morte a gente não volta mais. O melhor tempo de minha vida foi quando o meu marido estava vivo e os meus filhos ao meu lado. Agora meu marido morreu e tenho quatro filhos morando longe. Depois que meu marido morreu, acabou minha alegria. |
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