O papai chamava Benedito Mendes Santiago e minha mãe chamava Francisca de Assis do Carmo. Nós morávamos lá na Lagoa. Eles tinham um terreno lá, e tocavam lavoura e
engenho.
O engenho era de pau tocado a boi. Moía a cana, saía garapa e caía no
cocho de madeira, cozinhava a garapa até virar melado e depois com o melado
fazia a rapadura. Cozinhava a garapa no tacho de cobre. A rapadura era grande,
tinha dois palmos de cumprimento e um palmo de largura.
Naquele tempo não arava
a terra, só mexia a terra com enxadão, não colocava adobe. O esterco só se
colocava na horta. Quando mexia a horta, punha esterco de animal. Quando
completava uma dobra de carro, a gente trazia o milho e a rapadura para vender
aqui em Paracatu.
Saía com o carro de boi lá da Lagoa e vinha vender aqui para o
pessoal que a gente conhecia. Vendia para remediar a precisão. Vinha em Paracatu
duas ou três vezes ao ano. A roupa da gente, só era de algodão e ninguém
reparava o que o outro vestia. não existia calça, e até gente grande usava
camisolão de algodão e calçava precata de couro cru que a gente mesmo fazia.
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Casei três vezes, a primeira com a Maria; a Segunda com Benedita e a terceira
com a Oriozete e tenho uns vinte e três filhos.
Só a primeira mulher que morreu,
as outras duas estão vivas. Eu pescava muito nos córregos e fazia feira dos
peixes, cheguei a fazer o casamento de uma das minhas filhas só com as vendas
dos peixes. Acabei vendendo o terreno da Lagoa para o Geraldo Pimentel e comprei
esta casinha aqui no Alto do Açude.
Aposentei como lavrador e estou recebendo
R$130,00 (cento e trinta reais ) um salário por mês, lá no Banco do Brasil.
Agora estou cansado e só estou esperando a morte. Eu já podia ter morrido, estou
muito cansado.
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