Resumo: Depoimentos de quarenta e nove paracatuenses, sendo que a
grande maioria com idade superior a setenta anos. Os depoimentos estão
relacionados com o cotidiano da primeira metade do século XX, na área rural e urbana.
Apresentação
Gadamer salienta que somos pré-conceitos, sempre vamos ao encontro dos
fenômenos humanos a partir do que dispomos previamente. O pesquisador e o
pesquisado pertencem ambos a tradição. O pesquisador, em seu trabalho, deve
ficar junto dessa tradição se não quiser descaracterizar o objeto da pesquisa.
Nas ciências humanas, ressalta Gadamer, não é permitido tomar distância em
relação ao seu objeto. O distanciamento do sujeito com relação a seu objeto,
torna-se alienação se aplicados no estudo dos fenômenos humanos. Afirma Gadamer
que o distanciamento não permite conhecer o objeto em toda sua riqueza, no seu
contexto histórico. Gadamer comenta que se o pesquisador tomar uma atitude de
distanciamento, ele fabricará seu estudo, pois, haverá um rompimento da relação
primordial de pertença. Diz Gadamer, que uma das característica da ciência do
espírito é justamente essa ligação íntima entre sujeito e objeto. Sujeito e
objeto sempre andam juntos. O aspecto importante para Gadamer, é a investigação
da experiência humana de mundo e da praxes da vida, onde o pesquisador não pode
ir ao encontro da realidade com teorias e métodos pré-estabelecidos, ele deve
ser levado pelo que ele próprio experimenta no momento da
investigação..
Tomando por base o hermenêuta Gadamer, desenvolvemos o trabalho de
História Oral, procurando participar o máximo possível da história de cada um
dos entrevistados, entrando o máximo em sua narrativa, fazendo perguntas,
pedindo esclarecimentos, respeitando suas colocações.
A nossa primeira decisão foi desvincular de toda imposição normativa, por ser
impossível adotar um comportamento comum para todas as pessoas que iríamos
entrevistar, sendo que cada indivíduo possui o seu próprio mundo. Em síntese,
procuramos uma ligação íntima entre o pesquisador e pesquisado, diminuindo em
todos os aspectos o distanciamento entre entrevistador e
entrevistado.
Passarei a descrever os caminhos que percorremos e que nos levou a
concretização deste trabalho:
a - Em primeiro lugar, catalogamos as pessoas que iríamos entrevistar. A relação dos
entrevistados demandou conversas e sugestões com paracatuenses. Consultamos umas
cento e vinte pessoas, empenhando 42 horas para que tivéssemos uma listagem com
60 nomes.
b - a segunda atividade, foi agruparmos as pessoas que iríamos entrevistar por
localidades, visando facilitar o nosso próprio trabalho de locomoção.
c - Preparamos uma listagens das pessoas que iríamos entrevistar por semana, no
entanto, logo no início, a prática mostrou que não conseguiríamos seguir o
planejamento, pois, a disponibilidade dos entrevistados nem sempre coincida com
o nosso planejamento.
d - No primeiro contato com o entrevistado, procuramos explicar quem éramos, qual o
nosso propósito. Aproveitamos o encontro para conversar, trocar idéias, conhecer
um pouco o depoente e também os seus familiares. Inúmeras pessoas demonstraram
que não queriam prestar depoimento a respeito de suas experiências de vida. A
razào deste primeiro encontro foi marcar dia e hora para a entrevista, mas,
ocorreu diversas vezes, que neste mesmo dia, a conversa prosseguia culminando
com a própria entrevista.
e - A entrevista propriamente dita, passou por inúmeras modificações técnicas.
Verificamos que a filmagem e a gravação tirava toda espontaneidade do
entrevistado, bloqueando suas narrativas, provavelmente devido a idade avançada
das pessoas que estávamos entrevistando. Optamos pela anotação das vivências
relatadas, pelos dois componentes da equipe. A partir desta decisão, as
entrevistas fluíram com maior naturalidade e tivemos oportunidade de fazer
inúmeras interferências, visando esclarecimento das partes obscuras.
f - O sexto momento da nossa caminhada foi reunir as anotações feitas e escrever o
depoimento, aproximando o máximo da própria declaração do depoente.
g - uma nova visita era concretizada, para que o depoente lesse o seu depoimento,
sendo que na maioria das vezes, trechos foram cortados e outras lembranças foram
acrescentadas.
h - Em nossa oficina de trabalho, fazíamos as correções necessárias, solicitadas
pelos depoentes.
i - novo encontro com o depoente era concretizado, sendo o depoimento lido, não
somente para o entrevistado, mas, para os familiares presentes. Depois que o
depoente recebia, em muitas das vezes, o consentimento de seus familiares mais
próximos, o depoimento era assinado.
j - Conseguimos tirar fotografia da maioria dos depoentes, sendo que alguns,
alegando velhice, não consentiram que fossem fotografados.
k - Para cada depoimento completo, gastamos em média 10 horas.
Ao terminar o trabalho, só podemos dizer que crescemos muito interiormente em
manter contato com estas pessoas maravilhosas. Obrigado a todos.
Depoentes: