O tempo passou tão depressa que nem vi.
Passou, como passa uma nuvem no céu levada pelo vento. Celeremente, o que
era hoje ficou ontem e quase se perdeu na névoa do tempo. Esse tempo
inexorável que a ninguém ou a nada poupa; que nos transforma, nos
endurece; que brinca conosco privando-nos daqueles que queremos bem,
daquilo que fomos, das coisas que nos cercaram, daquilo que, hoje
...já não somos !
Firmo a vista, puxo pela memória em meu grande
arsenal de lembranças, mas nada consigo vislumbrar. Para onde foram
meus sonhos da mocidade, meus projetos, minhas mais doces ilusões?
Perderam-se ! Foram-se por aí !
Donde, exatamente, não sei. Devem
estar, com certeza, junto às minhas paixões - aquele sentimento empolgado
de meus primeiros amores, alguns, alegrias e e deslumbramento;
outros, desencantos, dores ! Mas, tudo passou, assim como será
passado o canto do pássaro que, na copa do arcipreste canta
e...me encanta ! O que e presente e que de tudo restou, e minha
fisionomia resignada, às vezes sentida; meu andar ainda seguro e
firme pelos meus descaminhos.
Trilhas ora alegres, ora tristes, incertas ou felizes, desta minha
impetuosa...
impulsiva...
maravilhosa...
...VIDA !